13 de setembro de 2010

FERIDA ESCONDIDA

Ontem fui quem não sou.
Hoje sou diferente do que serei.
Nem eu, nem meus sonhos são mais os mesmos.
Tenho saudades do meu lado ingênuo,
que se foi.
Não que eu tenha me tornado uma pessoa amarga,
mas já não rio meu riso solto, infantil.
Porisso não quero mais o que tanto desejei.

Quero viver um dia de cada vez,
tentando ser feliz.
Mas não se enganem, disfarço um pouco.
Há dias em que meus olhos
e meu sorriso são tão mentirosos...
Porque lá no fundo há

um vácuo, uma dor doída,
ferida horrenda, escondida...

1 de setembro de 2010

VIDA BOA


A vida é mesmo muito boa para quem se valoriza. Para quem se dá conta de que trabalhou, formou uma família, criou os filhos, educou-os para a vida e, agora deve continuar se amando e envestindo em sua própria vida: sem dramas, sem churumelas tipo "ai, meu Deus, estou sozinha, abandonada".

É o meu caso. Cinco filhos casados, treze netos, todos independentes.

Estou sozinha e sou muito feliz. Sou dona da minha vida, do meu tempo, das chaves da minha casa e do meu carro. Não é bom demais? Invisto em mim mesma. Faço o que gosto e o que quero. Encontro os amigos, as pessoas que quero bem, curto a programação cultural da cidade e alço vôo para outros lugares. Sobra tempo para apreciar a natureza, para ouvir músicas que são verdadeiras preciosidades e para curtir o silêncio.

Já escrevi aqui sobre esse assunto: o silêncio. Cada vez mais amo o silêncio e fico impaciente com a balbúrdia, os gritos e as músicas de mau gosto e ensurdecedoras.

Sei o que estão pensando: ando sem paciência, chata mesmo. E por que não?

Só porque agora penso mais em mim? Pois devemos ser assim.

Nós, mulheres e mães de família, passamos a vida toda repartindo o pão e a vida, reservando a melhor parte para os filhos e o marido. Por que não aproveitarmos essas doces fatias que estão agora à nossa disposição?

Quero agora a sombra e a água fresca, o queijo e a goiabada, o violão e os acordes, o amor e a poesia.

Ai, ai, que vida boa...