2 de maio de 2013

PASSO A PASSO

À medida em que o tempo passa, vamos ficando (segundo dizem),  mais sábios. Em contrapartida, vamos ficando mais medrosos. Parece haver aí uma incoerência, já que mais sábios, deveríamos agir com mais coragem, sem medo de arriscar, de recomeçar. 
Mas não! Vamos ficando mais medrosos sim, porque feridos que fomos tantaz vezes, buscamos nos resguardar. Isso vale, principalmente, para o amor.
Somos a maioria assim como gatos com medo de água fria. Fazer o que? Tantos tombos, tantas vezes em que nos confundiram e nos magoaram...
Então procuramos estar sempre na zona de conforto: quietinhos em casa ou quando muito, circulando pela cidade sem ousar dirigir um olhar mais interessado em alguém. Senão a sirene toca: cuidado, proteja-se!
Na teoria sou diferente. Fico sempre estimulando as pessoas e a mim própria a que busquemos novamente, e quantas vezes for preciso, o amor.
Olhar sem medo,  tomar a iniciativa de iniciar um diálogo com alguém com quem simpatizamos é sempre tão difícil! Quando vimos, a oportunidade passou e ficamos de braços cruzados.
A propósito, achei na estante um livro que havia desaparecido desde a época em que me mudei de casa. É um livro precioso, de um poeta amigo meu, Edimo Ginot, intitulado POETA VENCIDO. Alí existem verdadeiras pérolas da literatura e alguns de seus poemas já foram postados aqui.
Hoje,  refletindo sobre o tema AMOR e feliz por ter reencontrado o valioso livro, presenteio vocês com o poema:
"PASSO A PASSO
É preciso dar
o primeiro passo
e ao passo dado
acompanhar o outro
para que o outro
entre no compasso
e que o amor de um
seja o amor do outro."   

26 de abril de 2013

SAUDOSISMO

Pela vidraça do quarto, no quinto andar do meu prédio,  observo um carteiro que percorre as calçadinhas sinuosas do gramado puxando sua pesada caixa de correspondências. Abençoo-ocomo faço com todos os desconhecidos que vejo passar, em especial os que estão indo ou vindo do trabalho carregando, cada qual,  sua bagagem de preocupações e alegrias. Tenho especial carinho e grande admiração  por todos os que exercem profissões arriscadas e cansativas, muitas vezes não valorizadas como a dos garis, dos motoristas e cobradores de ônibus, dos vigias e porteiros de prédios, dos herois  dos caminhões de lixo,  dos garçons que servem os clientes durante a noite e também   das mulheres e homens exaustos que vendem seus corpos nas madrugadaspor falta de outras oportunidades ou por pura luxúria.  Por todas essas pessoas tenho um especial respeito.
Mas admiro e penso muito nos carteiros que incansáveis,  percorrem grandes distâncias trazendo as correspondências que são entregues de porta em porta: incontáveis folders, boletos de cobrança e folhetos de propaganda. 
Nunca as cartas! Nao mais  as antigas cartas agora aposentadas e esquecidas,  na era da informática.
Ah, as cartas... Tenho tantas saudades das cartas! Eu corria ansiosa para abrir a caixa do correio na ânsia de encontrá-las. Muitas vezes traziam notícias não tão agradáveis, mas outras tantas vezes  faziam meu coração bater mais forte... Eram doces palavras de carinho, de amor e de saudades... Eram perfumadas em algumas ocasiões. Como era gostoso preparar  respostas, de forma a devolver as gentilezas, os gestos de amor, as promessas...
É claro que estamos na era virtual. A internet e as redes sociais vieram  facilitar muito as nossas vidas tão agitadas. Somos uma geração de homens sem tempo. Por isso, não temos mais tempo para conviver com os nossos poucos amigos do peito. Mas insistimos em ter muitos amigos virtuais. Então os emails e mensagens resolvem tudo. Na maioria das vezes são suscintos: oi, td bm? Vc foi lá? Qd? Ok, bj" Meu Deus,  só isso?
Ai, nao! Quero minhas cartas de volta! Acordem, amigos, vamos ressuscitar as cartas!
Benditos sejam os carteiros que passam trilhando os caminhos e me trazendo saudades de um tempo tão feliz!... 
De um tempo em que as pessoas conversavam umas com as outras pessoalmente, com atenção e ternura, olhos nos olhos!!!