26 de abril de 2013

SAUDOSISMO

Pela vidraça do quarto, no quinto andar do meu prédio,  observo um carteiro que percorre as calçadinhas sinuosas do gramado puxando sua pesada caixa de correspondências. Abençoo-ocomo faço com todos os desconhecidos que vejo passar, em especial os que estão indo ou vindo do trabalho carregando, cada qual,  sua bagagem de preocupações e alegrias. Tenho especial carinho e grande admiração  por todos os que exercem profissões arriscadas e cansativas, muitas vezes não valorizadas como a dos garis, dos motoristas e cobradores de ônibus, dos vigias e porteiros de prédios, dos herois  dos caminhões de lixo,  dos garçons que servem os clientes durante a noite e também   das mulheres e homens exaustos que vendem seus corpos nas madrugadaspor falta de outras oportunidades ou por pura luxúria.  Por todas essas pessoas tenho um especial respeito.
Mas admiro e penso muito nos carteiros que incansáveis,  percorrem grandes distâncias trazendo as correspondências que são entregues de porta em porta: incontáveis folders, boletos de cobrança e folhetos de propaganda. 
Nunca as cartas! Nao mais  as antigas cartas agora aposentadas e esquecidas,  na era da informática.
Ah, as cartas... Tenho tantas saudades das cartas! Eu corria ansiosa para abrir a caixa do correio na ânsia de encontrá-las. Muitas vezes traziam notícias não tão agradáveis, mas outras tantas vezes  faziam meu coração bater mais forte... Eram doces palavras de carinho, de amor e de saudades... Eram perfumadas em algumas ocasiões. Como era gostoso preparar  respostas, de forma a devolver as gentilezas, os gestos de amor, as promessas...
É claro que estamos na era virtual. A internet e as redes sociais vieram  facilitar muito as nossas vidas tão agitadas. Somos uma geração de homens sem tempo. Por isso, não temos mais tempo para conviver com os nossos poucos amigos do peito. Mas insistimos em ter muitos amigos virtuais. Então os emails e mensagens resolvem tudo. Na maioria das vezes são suscintos: oi, td bm? Vc foi lá? Qd? Ok, bj" Meu Deus,  só isso?
Ai, nao! Quero minhas cartas de volta! Acordem, amigos, vamos ressuscitar as cartas!
Benditos sejam os carteiros que passam trilhando os caminhos e me trazendo saudades de um tempo tão feliz!... 
De um tempo em que as pessoas conversavam umas com as outras pessoalmente, com atenção e ternura, olhos nos olhos!!!

21 de março de 2013

VOU DE NOVO - NOVO VÔO

Vou de novo pra Lisboa. Por nada. Nenhum compromisso, nenhuma necessidade profissional ou familiar.
Por nada. porque meu coração pediu... Só isso. Abaixo a mesmice, a rotina, o ficar alojada meses e meses no mesmo sofá, dirigindo grande parte do dia nestas ruas agitadas, neste trânsito louco, correndo para cumprir obrigações, pagar contas. A vida não é só isso. Senão seria uma tolice viver. É claro que viver por viver tem seu grande valor. Acordar, respirar e sentir que estou viva é ótimo. Dou sempre graças à Deus por isso. Todos os dias, juro! Mas é pouco pra mim. Deus sabe que é pouco. Ele me compreende e me aceita como sou. Sabe que vim pra viver a vida em abundância, como pregou São João. Para sorver toda a beleza que há neste mundo e viver cada minuto me sentindo feliz. Essa é a minha lei: ser feliz. E isso é uma escolha minha e de cada ser humano.
Não pense que alguem, por mais que lhe ame, vai se desgastar para fazer você feliz, realizar seus sonhos. Pode até ser que pai ou mãe, um ou outro filho adulto chegue a tanto, uma vez ou outra. Mas, de resto, só você mesmo. A você cabe identificar seus sonhos e correr atrás para realizá-los. Mesmo que lhe custe muito trabalho, muito dinheiro, não se importe. Siga em frente. Deixe que argumentem, que critiquem as suas escolhas, tipo: ah, se fosse eu, guardaria dinheiro sob o colchão, para o caso de uma doença, uma necessidade, uma não sei o que, um não sei que lá..." Ouça, sorria e passe. Se for possível arcar (sozinha) com as prestações, corra, compra sua passagem! A prazo, claro. No cartão, se for preciso. Você vai conseguir pagar, pois tem sorte, determinação, vontade de trabalhar... Se trabalhou tantos anos como eu, criou os filhos, vive sozinha, já se desgastou muito, já tem missão cumprida.
Se você morrer, não se preocupe, seus filhos se incubirão  de resolver suas pendências.E você partirá contente, terá sido muito feliz...